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Medicina focada no paciente, não em exames.

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Nas últimas décadas, vivenciamos desenvolvimentos tecnológicos que transformaram de forma permanente a medicina. Aumentamos muito o nosso conhecimento sobre o funcionamento do nosso organismo. Hoje podemos, inclusive, mapear os nossos genes com uma gota de saliva!

Em um primeiro momento, isto foi muito sedutor. De certa forma, no fundo, acreditamos, como médicos e pessoas, que seríamos capazes finalmente de evitar quase todas as doenças. As que não pudéssemos evitar, as iríamos combater com certa tranquilidade. Como? Diagnóstico precoce. Criou-se a impressão que qualquer doença, se descoberta bem no início, teria alta chance de cura.

Em vista a esse desejo, de vivermos mais e sem doenças, os exames de diagnósticos, principalmente os de imagem como o ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância ganharam papel de destaque. Tudo estaria resolvido. Bastaria fazer um check up completo anual. Com exames tão avançados, o dia das doenças estariam contados. Um grande engano.

 

A medicina focada em exames e não no paciente

Primeiro, começamos a receber pacientes que não sentiam absolutamente nada, mas traziam exames com alterações. O problema é que não sabíamos como lidar com grande parte destes achados dos exames.

Os exames, a solução mágica para todos os nossos problemas, na verdade nos trouxeram muitas dúvidas. A primeira reação, gerada pelo medo e pela falta de conhecimento, foi a de tratar todas as alterações que víamos. Isto gerou o uso de mais medicamentos ou até mesmo de cirurgias DESNECESSÁRIAS!

A segunda foi de fazer mais exames. Pois se achamos algo no fígado, será o que podemos encontrar no pulmão? 

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Paralelamente a isto, a consulta clínica perdeu valor. 

Porque conversar e ser examinado se posso logo fazer uma ressonância e descobrir muito mais coisa? 

As consultas foram se descaracterizando. Ao invés de ser focada nas queixas dos pacientes, se baseava na conferência dos resultados dos múltiplos exames disponíveis.

Bom, descobrimos mais cedos as doenças. Estamos tratando mais pessoas. Óbvio que todos estão mais felizes e saudáveis, certo? Não. Mas o oposto. 

A outra grande questão gerada pela medicina focada em exames se refere à falsa impressão de segurança. Acreditamos que podemos descobrir a maioria das doenças. Descobrindo no início vamos curar quase todas. Desta forma, não precisamos mais cuidar da nossa saúde. Basta novamente cumprir o programa de check up que estaremos caminhando em rumo à eternidade.

Sabe-se hoje que as doenças precisam de componentes genéticos e ambientais para se desenvolverem. O que os estudos mostram, no entanto, é que os fatores ambientais, e aqui faço um destaque aos nossos hábitos de vida, são os fatores mais importantes na prevenção de doença. 

 

Exemplo 1

Tenho um paciente, bem antigo, que fuma há anos. Não havia argumentos que o convencesse a parar. Todos, especialmente ele,  sabem, hoje,  das diversas doenças associadas ao cigarro. Certa consulta, ele me disse que havia descoberto a forma ideal de se prevenir de câncer de pulmão. Fiquei curioso, pois era uma ótima notícia – achei que ele finalmente havia parado de fumar. E ele me vem contar que bastaria fazer tomografia do pulmão todo ano. Tive de mostrar que fazer tomografia todo ano não o pouparia de um câncer, apenas o mostraria que ele o tinha. E que por mais que a medicina tenha se desenvolvido, não ter o câncer é o que de fato proporciona a melhor chance de ”cura”. Caso ele realmente estivesse interessado em não ter câncer de pulmão ou inúmeras outras doenças, ao invés de perder o seu tempo com exames deveria parar de fumar e adquirir hábitos saudáveis. 

Exemplo 2

Um paciente apresentava dor abdominal inconstante e períodos de diarréia há alguns meses. Como os sintomas persistiram, foi solicitado ultrassom de abdome. Neste, se detectou um aneurisma da artéria esplênica, que irriga o baço. Assim chegou ao consultório, muito preocupado, pois foi informado que o aneurisma poderia se romper, o que implicaria inclusive em risco de vida. Ainda mais porque o aneurisma estava causando sintomas, o que indicaria maior chance de ruptura. Além do ultrassom, também trouxe consigo uma tomografia recém realizada, para termos mais detalhes e resolvermos tudo o mais rápido possível.

A sua primeira atitude, depois de nos cumprimentarmos, foi a de me entregar todos os exames. Decepcionei-o, porém, pois disse que antes de ver os exames, gostaria de entender o que se passava. E para isto precisaríamos conversar e até o examinar. Ele achou muito estranho eu querer perder tempo com conversa e palpação, sendo que ele já havia me trazido imagens tão elaboradas. Estava tudo pronto. Bastava marcar a intervenção. Por fim, ficou um pouco sem graça e topou me contar. Esclareceu-me sobre as características e local da dor. Após o examinar, vi com atenção todos os exames. Realmente havia um aneurisma, porém pequeno e sem nenhum sinal de complicação ou gravidade. Depois de o acalmar e o explicar que aneurismas como o dele raramente o trariam problemas ou sintomas, ele se lembrou que havia feito um exame de fezes no início dos sintomas. Este tinha demonstrando a presença de Ascaris lumbricoidis, um verme muito comum. Propus receitar um vermífugo e o reavaliar. Ele muito descrente consentiu. Mesmo não entendendo como um cirurgião havia prescrito um vermífugo e não uma cirurgia. Ele tinha um aneurisma…. 

Fato é que o paciente melhorou tudo que sentia após o medicamento. O seu aneurisma continua lá, do mesmo jeito, já há mais de cinco anos. E sem trazer nenhum problema.

Toda esta conversa pode ser resumida em algumas frases:

1- Fazer exames não te traz saúde. 

2- Alterações de exames, grande parte das vezes, não causam nenhum prejuízo à sua saúde. O achado do exame pode não ter nenhuma relação com o que você sente. 

Em outras palavra, mesmo que se corrija a alteração do exame, as suas queixas poderiam persistir. Você não deve desejar exames normais – deseje ter saúde. Não peça para que tratemos os seus exames. Peça para que o foco seja em você.

“Então não devemos fazer exames? Vamos ignorar tudo que vem nos laudos?”

De forma alguma. Mas o cuidado deve se iniciar na pessoa, nas suas queixas, nos seus hábitos de vida, no seu dia a dia. Os exames são complementares. 

Que tal começarmos a construir um caminho para a saúde e não apenas tratar doenças e avaliar exames? É isso que a Clínica Intervascular acredita! Fale conosco! 

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